Um líder que sabe se comunicar

Há alguns anos, durante uma sessão de coaching executivo com o gerente de uma empresa brasileira, o qual chamarei apenas de Coachee, ele me relatou que estava difícil comandar sua equipe.

Disse-me que as pessoas não estavam motivadas e demonstravam pouco interesse no trabalho. Que ele não se sentia muito respeitado e queria que eu o ajudasse a ganhar mais autoridade com seu pessoal, para que eles passassem a realizar as tarefas do jeito que ele queria, e sem reclamar.

Perguntei como ele se sentia com essa situação e como ele gostaria de se sentir. Ele se debruçou sobre a mesa e disse que só não saía da empresa porque sabia que faria falta.

Que seu senso de responsabilidade e comprometimento era total para atingir os propósitos da corporação. Olhei bem em seus olhos, e respondi que entendia o que ele estava dizendo. Balancei a cabeça com um sutil movimento de “sim”.

Em seguida, pedi para ele me dizer qual era o perfil ideal de um líder que tem autoridade. A primeira coisa que ele me respondeu – “Alguém que sabe se comunicar”.

Ressaltei um “muito bem” e, logo, pedi para ele descrever em uma folha de papel quais eram as características que ele considerava indispensáveis em um líder que sabe se comunicar.

Ele ficou pensativo por alguns segundos. Me olhou e começou a escrever, enquanto falava o que escrevia ele me explicava o que queria dizer com cada uma das características elencadas.

Da lista de características, que eram mais de 18, e pedi que escolhesse as três que ele acreditava que não poderiam faltar de jeito nenhum em um líder que sabe se comunicar.

Ele escolheu respeito, paciência e conhecimento. – O exercício estava só esquentando. – Logo, pedi que ele me descrevesse como age um líder em relação a cada uma dessas três características:

Respeito – Tem que saber ouvir e entender o que os outros querem dizer. Respeitar as diferenças de ideias e aproveitar o melhor de cada um.

– Perguntei se ele escutava com atenção as pessoas de sua equipe e se valorizava suas ideias (minuto de silêncio).

Paciência – Nem sempre a gente quer ouvir o que o outro diz, mas tem que ter paciência.

– Perguntei se ter paciência é uma atitude para saber lhe dar com a pressão e coisas desagradáveis ou se seria saber parar e dispor seu tempo para dedicar total atenção ao outro, mesmo que isso custasse abrir mão de outras coisas.

Conhecimento – Quando o líder demonstra conhecimento ele é mais respeitado.

– Pedi que ele me explicasse o que queria dizer com conhecimento. A resposta foi bem prática – “Quando se tem mais conhecimento técnico que o outro ele irá te respeitar”.

Não resisti e perguntei se o diretor da empresa era respeitado por todos. Ele respondeu prontamente – “Sim, sem dúvida”. Então eu disse – “Que maravilha!

Ele deve ser um homem muito inteligente para ser especialista em tudo e saber mais que todos de todos os setores da empresa”. Surgiu um olhar arregalado que refletia um bombardeio de insights.

Dá para perceber que o sentimento relacionado a ser respeitado estava bem afetado. Pedi, então, para que meu Coachee me falasse um pouco sobre a relação com sua equipe.

Perguntei se ele escutava as pessoas porque tinha que escutar ou se escutava porque queria saber suas ideias, opiniões e se elogiava as boas ideias colhidas nessas oportunidades.

Também perguntei se ele estava satisfeito com o seu nível de conhecimento e se acreditava que precisava melhorar para ter mais respeito. Ele me respondeu prontamente que precisava aprender técnicas e práticas para liderar melhor.

Que isso ajudaria a fazer com que os outros o respeitasse mais. Compreendeu que suas atitudes estavam comunicando a ideia errada do que ele queria alcançar.

No relato acima, inspirado em experiências passadas, podemos verificar que esse caso ilustra, inicialmente, um pensamento de liderança pela força. Aliás, chefia e não liderança.